É errado dizer que o artista "procura" o seu tema. Este, na verdade, amadurece dentro dele como um fruto, e começa a exigir uma forma de expressão. É um parto... (TARCOVSKI, 1990, p.49).

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Flâneur [2011]







Flâneur [2011]

“A grande lição da imagem fotográfica está em poder afirmar: “Ali está a superfície. Agora pense – ou melhor, sinta, intua – no que possa estar do outro lado dela, e como seria a realidade se fosse assim” (SONTAG, 1984, p.22).

O Flâneur [2011] trata-se de múltiplo* virtual com quinze imagens que estarão disponível na internet, por e-mail, a partir do dia da árvore, 21 de setembro.

Elas têm 12cm x 16cm (300 dpi), elaboradas com painas coloridas com pigmentos naturais (beterraba, açafrão, erva-mate...). Foram congeladas em formas de tamanhos variados, com um pouco de água, e fotografadas à medida que iam descongelando. Como no Flâneur [2005] (vide abaixo), elas parecem uma deliciosa sobremesa “[...] a preocupação da realidade que a câmara possibilita deve sempre ocultar mais do que revelar” (SONTAG, 1984, p.23).

A idéia é enviar uma de cada tipo para pessoas desconhecidas umas das outras e informá-la que há outras 14 circulando por aí (e-mails, blogs, facebooks...).

As pessoas vão poder colecionar as imagens, como num álbum de figurinhas, por exemplo, ou podem emoldurá-las como quadros, ou transformá-las em livro, ou albergá-las nos seus sites, ou trocá-las via endereços eletrônicos. É só deixar a imaginação funcionar!

Claro que uma é delas é a “figurinha difícil”... ela estará albergada no blog do Baobah:
http://baobahestudios.com.br/blog/

Mas nem eu sei quando e por quanto tempo o blog colocará, para tanto, você deverá ficar antenado!!!

Pelo e-mail: paisagens.a.vista@gmail.com você poderá informar, se assim desejar, qual o destino que deu às imagens!!!

O Flâneur [2011] quer instigar percepção, observação, interação, utilizando um meio muito comum em nossa época, numa tentativa de ativar o espaço Fora (paineiras na paisagem!).

Bom apetite!!!
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*Múltiplo
Termo que é utilizado, principalmente a partir da década de 1960, para designar trabalhos artísticos que, sem serem gravuras ou esculturas moldadas, são concebidos com o intuito de serem reproduzidos em grande ou, às vezes, ilimitado número de cópias. Ao contrário da gravura e da escultura moldada, cujas cópias são tradicionalmente executadas a partir de uma matriz feita a mão pelo próprio artista, os múltiplos, realizados em geral com materiais e processos industriais, se originam de um protótipo, de um projeto ou de instruções apresentados pelo autor da obra. Em tese, o princípio que norteia este tipo de produção é o da disseminação da obra de arte, tornando-a, pelo procedimento da multiplicação, um bem de consumo acessível a um público mais vasto. Ao mesmo tempo, esta atitude denota uma crítica ao valor atribuído a um objeto de arte por sua condição de singularidade, de obra única, destinada apenas aos colecionadores e aos museus. Este tipo de questionamento e produção está presente em trabalhos como os realizados por artistas ligados à arte pop e ao Fluxus.[1]

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[1] Fonte: www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3806. Pesquisado em 19/09/2011

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Flâneur 2005


“Estritamente falando, jamais é possível compreendermos o que quer que seja a partir de uma fotografia” (SONTAG,1984, p.22).



O Flâneur [2005], exposto no Espaço Arco em 2006 e no Canal Café em 2008, teve início a partir do interesse pela materialidade orgânica apresentada no trabalho de alguns artistas como: Rubens Oestroem, quando usa carvão, como pigmento; Paulo Gaiad, quando explora suas memórias; e nas experiências de Giana Traple, colega de curso, em seu trabalho com tingimento de papéis com chás naturais. Logo fiz conexão com algo que, na época, estava em evidência na natureza, que eram as painas a se agitar e cair das paineiras. Paina é o conjunto de fibras sedosas, parecidas às do algodão, que envolvem as sementes de várias plantas, em especial da família das Bombacáceas.
Foram utilizados: caldo de beterraba, chás (diferentes tipos), café forte, erva mate, casca de cebola roxa, a tinta aquarela (deixou a paina opaca), entre outros.
Foi então que conheci a obra do artista plástico Andy Goldsworthy, que costuma fazer grandes bolas de neve com materiais recolhidos na natureza (galhos secos, flores, sementes, terra, etc.). Durante o processo de recolhimento de painas, foram arrecadadas também suas sementes, visto que a paina é o invólucro da semente. Logo passei a elaborar um modo de utilizá-la, bem como achar uma maneira de usar a idéia de Goldswothy, no sentido de fazer o espectador voltar-se para a natureza, em especial à paisagem e ao que esta acontecendo nela, suas mudanças de estações.
Foram utilizadas duas vasilhas de vidro no formato redondo (dois semicírculos). Depois pensaria numa maneira de ligá-las, mas logo percebi que não seria necessário, pois os semicírculos de água, sementes e terra, congelados, pareciam uma deliciosa sobremesa. “[...] a preocupação da realidade que a câmara possibilita deve sempre ocultar mais do que revelar” (SONTAG,1984, p.23).
Por mais de quatro horas acompanhei o degelo registrando, através de fotos, cada passo. Assim, alguns sentidos foram aguçados, pois estimulava a visão e o paladar à medida que derretia. Aos poucos a maciez da paina e o formato das sementes foram surgindo, transformando o aspecto de “doce” em “bichinhos de pelúcia”.
O resultado foi exposto em forma de livro, “consertina”, aberto, além de alguns elementos que fizeram parte do feitio.